Toda vez que o leite pago ao produtor excede os valores de preço usuais acontece um fenômeno bastante comum em diversas fazendas produtoras de leite no Brasil “ O leite de ração”. Este fenômeno é caracterizado pela relação de QUILOS DE CONCENTRADO FORNECIDO POR LITROS DE LEITE PRODUZIDOS, onde muitos produtores passam a trabalhar com níveis de concentrado mais elevados frente ao histórico da propriedade. O impacto dessa medida é direto na produção de leite, tendo em vista que a grande maioria das vacas irão responder com aumento de produção. No entanto, os efeitos de médio e longo prazo promoverão desde a piora nos índices reprodutivos ao aumento do descarte involuntário de vacas na propriedade o que pode comprometer todo o empreendimento pecuário.

Não distante dessa prática, vemos produtores mantendo vacas produtivas em agrupamentos inadequados, seja por negligência ou por falta de conhecimento, sob motivo apenas de produção de leite. Contudo, as vacas apresentam outras particularidades ao longo da lactação, como requerimentos nutricionais, exigências reprodutivas, produtivas e sanitárias (CÂMARA, 2013). O referido autor relata ainda que, para cada período deve ser adotada uma estratégia de manejo, afim de minimizar as características negativas de cada fase e as positivas maximizadas.

O gráfico abaixo demonstra as fases do ciclo produtivo da vaca leiteira, que é representada por uma fase crescente até o pico de produção e, ocorre em média de 60 a 90 dias pós-parto e é nesta fase que tem a maior produção de leite, uma fase de início de queda da produção e aumento do consumo de matéria seca, e a fase de declínio que se estende até o animal secar, que é por volta de 10 meses.

Figura 1 – Curva de lactação, consumo de MS e escore de condição corporal de vacas leiteiras ao longo do ciclo produtivo (Fonte: CÂMARA, 2013)

O início da lactação é caracterizado por um baixo consumo de matéria seca e alta exigência de nutrientes e, deste modo ocorre a mobilização de reservas corporais gerando um déficit energético, e posteriormente a queda de peso. Esse processo e inevitável em vacas leiteiras, porém pode ser minimizado com adoção de práticas de manejo.

No terço médio da lactação parte das reservas corporais gastas no início da lactação são recuperadas e a produção de leite começa a cair, as vacas continuam ganhando peso e preparando sua condição corporal para o próximo parto (BARBOSA et al. 2002). Neste período os animais devem ser direcionados para lotes que consomem mais fibras, afim de evitar ganho de peso excessivo.

Com relação ao final da lactação a produção de leite é inferior aos estágios anteriores. Nesta fase tem que evitar que as vacas ganhem peso em excesso, mas que tenha alimento suficiente para repor as reservas corporais perdidas no início da lactação. Além disso, ocorre a secagem do leite, preparação para o próximo parto e a próxima lactação (BARBOSA et al. 2002).

 

  •  Agrupamento de lotes de vacas em lactação

 

Como o rebanho não segue a produção de forma homogênea é necessário agrupar os animais de acordo com as diferentes fases do ciclo produtivo da vaca e também pela sua produção, pois quanto maior a produção de leite maior será a exigência nutricional (REIS; De SOUSA; De OLIVEIRA, 2009).

Outro fator que deve ser levado em consideração são as vacas de primeira cria, que apresentam maiores exigências do que vacas adultas, pois além dos requerimentos nutricionais para a produção e manutenção ainda tem para o crescimento (REIS; De SOUSA; De OLIVEIRA, 2009). Deste modo, elas devem ser mantidas em grupos separados de vacas multíparas, por que apresenta maior exigência nutricional e são animais mais “tímidos” e deixam de ir se alimentar no cocho quando tem a presença de vacas mais velhas (vários partos).

Além disso, o agrupamento de acordo com os dias em lactação (DEL) em que os animais se encontram é importante quando se trabalha com rebanho de alta capacidade produtiva, pois ele tende a ser mais homogêneo e os animais apresentam os dias em lactação semelhantes (REIS; De SOUSA; De OLIVEIRA, 2009).

Segundo as exigências nutricionais da vaca leiteira ao longo da curva de lactação, têm-se recomendado agrupar os animais em quatro grupos distintos que serão abordados na figura abaixo:

 

Figura 2 – Modelo esquemático de um agrupamento de vacas (Fonte: CÂMARA, 2013).

 

Considerações:

  • A partir do 6º mês após o parto, fisiologicamente, a vaca tende a ganhar condição corporal;
  • É fundamental ao observar os animais, saber identificar aqueles que tem tendência a ganhar peso, pois normalmente eles direcionam a energia fornecida pela dieta para acúmulo de gordura ao invés da produção de leite. Estes animais devem ser direcionados para lotes que consomem mais fibras;
  • Geralmente, vacas com maior grau de sangue zebuíno tendem a apresentar maior acúmulo de gordura quando comparadas às vacas da raça holandesa no mesmo estágio de lactação.
  • Vacas especiais necessitam de cuidados especiais;
  • Atenção com vacas muito gordas e muito magras durante o período de secagem;
  • Maximizar o consumo de matéria seca das vacas.

 

Cordial abraço a todos!

 

Rodrigo Anselmo e Rosilene F. M. Mota
Depto. Técnico, P&D da Nutratta Nutrição Animal e Depto. de Marketing da Nutratta Nutrição Animal
Zootecnistas
Fontes:

 

BARBOSA, P. F.; PEDROSO, A. F.; NOVO, A. L. M.; RODRIGUES, A. A.; CAMARGO, A. C.; POTT, E. B.; SCHIFFLER, E. A.; AFONSO, E.; TUPY, O.; BARSOSA, R. T.; LIMA, V. M. B. Alimentação: Vacas em lactação. Embrapa Gado de leite – Sistemas de Produção, 4, 2002.

 

CÂMARA, P. E. 2013. Agrupamento de vacas leiteiras de acordo com características produtivas. Disponível em: <http://rehagro.com.br/plus/modulos/noticias/ler.php?cdnoticia=2588>. Acesso em: 09 de agosto de 2016.

 

REIS, R. B.; De SOUSA, B. M.; De OLIVEIRA, M. A. Sistemas de alimentação para vacas de alta produção. In: GONÇALVES, L. C.; BORGES, I.; FERREIRA, P. D. S. Alimentação de gado de leite. Belo Horizonte: FEPMVZ, 2009, p.128-178.

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